Pessoal,
Reproduzo abaixo uma reportagem de Zero Hora que dá uma idéia da evolução que teremos com o aumento da velocidade de conexão à internet no futuro próximo. E o exemplo vem dos países europeus, asiáticos, além de Canadá e EUA. Assim, poderemos explorar melhor o uso de áudio e vídeo, além de jogos educacionais colaborativos mais complexos.
Um jovem pega o megafone e anuncia entre as bancadas de computadores da Campus Party Brasil, evento de tecnologia que ocorreu na última semana no Centro Imigrantes, em São Paulo:
– Excursão para Santa Ifigênia em duas horas.
Na rua que é o principal reduto de venda de eletrônicos do país, um produto encabeçaria a lista de compras do público da Campus Party: os discos rígidos (HDs) externos. Também pudera: no evento, 4 mil pessoas compartilhavam um link de internet de altíssima velocidade – 10 gigabits por segundo (Gbps) – aproximadamente 500 vezes mais rápido do que a maior velocidade oferecida no Estado.
Quem não foi preparado, como o universitário Roger Vargas, 22 anos, deu um pulo na Santa Ifigênia. Pagou R$ 500 por um disco de 1 terabyte.
– Nem dá tempo de ver o download. Baixo 700 mega em menos de um minuto – afirma Roger, morador de Itaqui, onde tem conexão de 1,5 megabits por segundo (Mbps) em casa.
No Brasil, segundo a consultoria IDC, apenas um terço das conexões consideradas banda larga tem mais de 1 Mbps. Algumas empresas adotam franquia de dados – caso o cliente extrapole o limite de download mensal, a conexão é reduzida. Eduardo Aspesi, vice-presidente de marketing e vendas da NET, explica que é uma forma de garantir que quem utiliza mais a rede pague mais.
O programador web Caio Santos, 25 anos, de São Paulo, levou dois computadores para a Campus Party – um com oito HDs e outro com quatro, mais dois extras (cada um com 160 GB):
– Tinha de me preparar para baixar bastante (con- teúdo da internet) nessa semana – revela o jovem.
Para Marcelo Branco, diretor geral do evento, a Campus Party dá um “gostinho’’ do que é ter uma conexão de alta velocidade e estimula os participantes a desejarem uma banda melhor. No Estado, para ter a velocidade máxima de 20 Mbps é preciso pagar R$ 450 mensais. Ricardo Sanfelice, diretor de marketing da GVT, pondera que quando a operadora lançou 1 Mbps como velocidade máxima, em 2002, o custo era quatro vezes o seu valor atual.
– Alguns países estão em outro nível de infraestrutura. Na Coreia, o governo deu incentivos tributários para incentivar o e-learning (ensino pela web) e o teletrabalho para não prejudicar o trânsito – diz Sanfelice.
No Brasil, impostos encarecem o serviço em 40%.
– A internet é tributada como supérfluo. Também falta disponibilidade do serviço, há cidades com demanda reprimida – avalia Vinicius Caetano, analista de telecom da consultoria IDC Brasil, acrescentando que as dimensões continentais do país dificultam levar a todos os locais a infraestrutura necessária.
Estudo da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (Telcomp) aponta que, no Japão, a velocidade média de conexão chega a 61 Mbps. Naquele país, um pacote de 1 Mbps sai entre R$ 0,22 e R$ 3,5 devido à concorrência, segundo o presidente da entidade, Luis Cuza. Em Manaus (AM), o contraste: chega-se a pagar R$ 700 por 1 Mbps.
– O consumidor está na mão de poucas empresas. Além do preço, há má prestação de serviço – lamenta a coordenadora institucional da entidade de defesa do consumidor Pro Teste, Maria Inês Dolci.
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