Aproveitando para lhes desejar um Feliz Natal e Próspero 2010, gostaria de deixar a seguinte indagação: se todos nós entramos nessa época com a intenção de refletir sobre tudo que ocorreu durante o ano, repensando nossas atitudes, podemos também focar em nossa área de atuação, o e-learning. Por tudo que vemos e discutimos, qual o potencial de renovação das soluções e-learning? Será que podemos mudar a forma como o encaramos? Enfim, aqui fica a reflexão para que possamos entrar em 2010, encarando novos desafios frente a essa mudança de paradigma, trazida pelo e-learning.
Talvez muitos de vocês já tenham visto esse vídeo, mas vi ele novamente esta semana e achei que seria interessante compartilhá-lo com vocês.
Na verdade esté vídeo é uma propaganda criada pela ADL (detentora do tão famoso padrão SCORM) e tem o objetivo de causar impacto mostrando o poder do e-learning.
O mercado de soluções para e-Learning nos EUA atingiu $16.7 bilhões de dólares em 2009. A demanda vem crescendo em torno de 7,4% e deverá chegar a $23.8 bilhões de dólares em 2014.
A taxa de crescimento vem diminuindo em relação ao último conjunto de análise. No período analisado de 2007-2012, o mercado de e-learning crescia 22% anualmente. Ainda assim, a taxa de declínio diminui significativamente, principalmente pela demanda crescente do mercado corporativo. Apesar da recessão mundial e, até mesmo devido a esta, a demana é positiva em todos os segmentos compradores de soluções e-learning.
A referida pesquisa abordou os seguintes segmentos de soluções para e-learning:
conteúdo de catálogo para TI
conteúdo de catálogo (excluindo TI)
desenvolvimento de conteúdo customizado
softwares específicos
plataforma de aprendizado (ambiente virtual de aprendizagem – AVA/LMS)
Serviços de plataforma de aprendizagem hospedadas é o segmento que mais cresce, a uma taxa de 12.8%. A demanda para conteúdo de catálogo (exceto TI) cresce 9,4%, puxada principalmente pelo segmento acadêmico.
E no Brasil? Difícil dizer. Ainda não temos nenhuma pesquisa confiável acerca do mercado brasileiro, principalmente no que tange ao mercado corporativo . Apenas alguns levantamentos e estimativas. Assim, se alguém se propõe a pesquisar a fundo esse mercado, acredito que terá clientes de sobra.
O mercado de soluções para e-learning nos EUA é relativamente maduro, mas o cenário competitivo é bastante fragmentado. Essa fragmentação é devido à diferenciação no comportamento de compra dos diferentes segmentos do mercado. Dificilmente algum fornecedor consegue atender as mais variadas necessidades de clientes distintos.
Para aqueles que apreciam se aprofundar nos estudos relativos a games em EaD (e-learning), vale a pena conferir o novo livro do João Mattar, que inclusive tem um blog onde fala sobre educação.
Nele, Mattar faz uma revisão geral da literatura teórica sobre o uso de games em educação, e também explora vários casos, no Brasil e no exterior, em que games foram e são utilizados em educação.
Quase sete mil profissionais da segurança pública entre policiais civis, militares, bombeiros, agentes prisionais e dos setores administrativos da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), já concluíram, apenas no primeiro semestre de 2009, algum dos cursos gratuitos do programa de Educação a Distância (EAD) do Ministério da Justiça.
Desse total, 1.735 são agentes penitenciários; 2.015 policiais civis; 2.318 policiais militares; 325 bombeiros militar, 218 e 346 profissionais da Politec e da Sejusp respectivamente. Na próxima sexta-feira (14) estarão abertas as inscrições para o 17º ciclo.
A iniciativa é uma das ações do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) e tem por objetivo melhorar a formação e valorizar os profissionais de segurança pública. No total são 35 modalidades com carga horária que varia entre 40 e 60 horas.
O soldado bombeiro, Leandro Gustavo Alves, já fez três cursos. “O EAD é excelente porque sempre oferece algum curso que contribui com a nossa formação, o que ajuda a obter mais conhecimento para o exercício da nossa profissão”, avaliou o profissional.
Para o soldado da Polícia Militar, Antônio Rodrigues Ferreira, que fez o curso Investigação Criminal e Local e Isolamento do Crime, os cursos ajudam muito no dia a dia do seu trabalho. “O programa é bom porque ele dá oportunidade do profissional complementar a formação”, afirmou.
A investigadora de polícia, Patrícia Maggio, explica que a parte teórica do curso é objetiva e de fácil compreensão, facilitando na aprendizagem. “Os cursos via internet são mais proveitosos”, acredita.
Autor: Raquel Ferreira
A reportagem abaixo é um exemplo do potencial da educação a distância (e-learning) na potencialização do desenvolvimento. Publicado originalmente aqui
O Estado do Amazonas é seis vezes maior que o Estado de São Paulo e tem praticamente o mesmo tamanho da Alemanha. São 3,7 milhões de habitantes, sendo que metade reside em Manaus e a outra metade fica espalhada pelo Estado. Apesar das dimensões significativas, o acesso às novas tecnologias de informação e de comunicação (TICs) ainda é bastante restrito: dos 62 municípios do Amazonas, 12 ainda não tem tecnologia de acesso à internet – isso num país em que, em média, apenas uma em cada três pessoas usa internet (de acordo com dados do Comitê Gestor da Internet do Brasil – CBI.br). No entanto, as TICs podem – e devem – ser usadas para o desenvolvimento da região.
Esse foi o tema da mesa redonda “TIC’s como instrumento de desenvolvimento”, realizada na última terça-feira (14) pelo Secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Estado do Amazonas, Denis Minev. Ele apresentou uma série de programas em desenvolvimento no Amazonas no sentindo de promover a inclusão digital na região.
O Projeto Amazonas Digital, por exemplo, consiste em disponibilizar o sinal da internet via satélite nas cidades do interior, escolas, hospitais, polícia e, até mesmo, praças com o objetivo de incluir a Amazônia para o mundo online, permitir maior utilização dos serviços e-gov, capacitação com o uso da mão-de-obra local, crescimento de e-commerce nos municípios e aumento do comércio de bens de informática.
Outra iniciativa em andamento, promovida pelo Governo do Estado do Amazonas, são os chamados Centros de Mídia (ou polos) localizados em 740 pontos espalhados pelo Estado, que visam promover a inclusão digital. O projeto já atendeu 25 mil alunos. Minev lembra que há cidades do interior do Estado com evasão escolar média de 60% e com muita dificuldade de acesso a centros urbanos: um exemplo é a cidade Guajará, localizada na fronteira do Acre, cuja viagem de barco, partindo de Manaus, pode levar semanas. Para Minev, o problema com transporte e comunicação é preocupante, mas alguns projetos têm contribuído para minimizar estes problemas. “A solução é a tecnologia de informação”, destaca.
Ensino virtual é boa opção
Outros projetos estão em andamento na Universidade Estadual do Amazonas (UEA), a principal do Estado. Há três anos, a UEA já realiza ensino a distância por meio de novas tecnologias de comunicação e, com isso, já atingiu 16 municípios, com 5 mil alunos em três cursos superiores. “Hoje todos os professores do Amazonas tem uma graduação”, diz Minev.
O Estado do Amazonas, em parceria com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), a Secretaria do Estado de Educaçao do Amazonas (Seduc), o Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia e Defesa (MEC, MCT), também desenvolve o projeto de Telemedicina (oferta de serviços ligados aos cuidados com a saúde, nos casos em que a distância é um fator crítico). A operação atual está em 20 pontos do Estado. Em 2008, foram realizadas 356 consultas e 1,3mil exames. Além de cursos, palestras e treinamentos para profissionais da saúde, em especial aos que residem em pequenas cidades do interior do Amazonas.
Para Minev, a telepresença é uma solução que cria a experiência de reuniões ao vivo, por meio de uma rede. A tecnologia permite a realização de reuniões com pessoas de diversos locais, por meio de uma experiência extremamente realista: imagens em tamanho real, ambientação das salas para que sejam similares em todos os pontos de presença e voz direcionada fazem com que se tenha a sensação de que o participante está, de fato, sentado à sua frente no próprio local de reunião. O objetivo, de acordo com Minev, é diminuir os custos de deslocamento, economia de tempo, economia ambiental rapidez na tomada de decisão e maximização de recursos tecnológicos.
Manaus será um dos locais para sediar a copa do Brasil de 2014, o que pode ser positivo para o desenvolvimento da região. No entanto, para atender à demanda dos visitantes aficionados por futebol, é preciso, pelo menos, falar inglês. A cidade precisa de cerca de 10 mil pessoas com o idioma fluente. Para Minev, as novas tecnologias têm um papel essencial também nesse caso e podem contribuir para a capacitação, atendendo também as necessidades imediatas.
Antes de iniciar uma série de posts sobre as palestras dos eventos e-Learning Brasil e e-Learning SUL, compartilharei uma visão interessante do colega João Mattar sobre o Second Life na Educação.
Abaixo, então, o post publicado originalmente no Blog http://blog.joaomattar.com/.
Quem me acompanha, e acompanha este blog, sabe que este tema é recorrente por aqui, mas chegou a hora de revisitá-lo com paciência e energia, principalmente agora que tem gente por aí trocando as bolas e esbravejando que o Second Life morreu, e que essa morte demonstra não só que o Second Life, mas inclusive os mundos virtuais em geral, foram uma aposta furada na educação, muita fumaça para pouco fogo. Um tipo de discurso que, parece, tem se repetido no mundo todo, ciclicamente, e que aqui chegou um pouquinho atrasado. No últimos meses fui deixando vários posts e artigos para ler, lugares para visitar etc., então aqui vão, num fôlego só!
Em primeiro lugar, números fresquinhos em Does Anybody Still Use Second Life? And If So, How Much Is It Worth Today? Afinal de contas, morreu o que, se a Linden Lab vale hoje ao redor de US$ 700.000.000,00? Morreu o que, se considerando o tempo gasto online por usuário, o Second Life fica na frente de todos os outros MMORPGs, como World of Warcraft e Civilization IV? E uma série de outras estatísticas não para de crescer?
A University of Cincinnati recriou no Second Life as ilhas Galápagos. Você pode refazer a viagem de Darwin a bordo do Beagle (acabei de viajar), além de explorar a ilha, que tem galeria e museu, num fantástico projeto coordenado por Chris M. Collins, que junto com Ronald W. Millard escreveu o artigo Galapagos Islands in Second Life.
Cheguei a comentar por aqui sobre a Educational Support Faire, organizada no início do ano, que inclusive tem um wiki. Quase 4.000 avatares participaram do Virtual Worlds Best Practices in Education. As atividades no Second Life durante o 7º SENAED foram concorridas e a ferramenta se demonstrou uma das mais estáveis durante o evento. Vêm por aí ainda a Second Life Community Convention (SLCC) e o SLACTIONS, além de uma série de atividades que a comunidade de educadores que trabalha com o Second Life no Brasil organizará colaborativamente para o segundo semestre – tudo neste ano! Então, o que é que acabou, exatamente?
Denise Harrison produziu uma série muito interessante de 4 artigos para o Campus Technology sobre o uso do Second Life em educação.
No sensacional Real-Life Teaching in a Virtual World, ela discute como, ao contrário do movimento de excitação e posterior descontentamento com o Second Life, a educação seguiu um caminho diferente. A educação está florescendo no Second Life, com educadores explorando intensamente todas as ferramentas disponíveis e estabelecendo boas práticas pelo caminho. A SLED (lista dos educadores que trabalham com o Second Life) tem hoje ao redor de 6.000 participantes (não vejo brasileiros por lá); o Real Life Education in Second Life é um grupo dentro do SL com quase 4.000 membros; e o CC International-SL é outro grupo com milhares de participantes, voltado à promoção do uso de mundos virtuais na educação. Algumas instituições usam o SL como ferramenta de recrutamento de estudantes e professores, além de projetar a instituição a outros públicos; outras beneficiam-se do potencial educacional do SL para atender alunos, enriquecer o currículo, complementar suas aulas ou mesmo ministrar aulas. Educadores apontam várias vantagens na utilização do ambiente: imersão, aprendizado experiencial, simulação, roleplay, colaboração, co-criação, experimentação com novas ideias e aprendizado em grupo. Uma referência é feita ao wiki Educational Uses of Second Life. Colaboração e encontros síncronos envolvem mais do que páginas na web; um ambiente 3D virtual aumenta a participação e melhora a retenção; e o fator diversão não pode ser ignorado. No SL estão também disponíveis, sem custo, ferramentas para apresentações multimídia, de slides, vídeos, acesso a urls no próprio sistema, notecards etc., além de o SL funcionar como um programa de animação 3D (cf. Second Life as a 3D animation program) – quem ainda não assistiu Silver Bells and Golden Spurs, filmado no Second Life, aqui está a oportunidade:
Completa a série Engaging Students in Virtual Learning, dedicado totalmente ao incrível trabalho desenvolvido pela East Carolina University em diversos cursos no Second Life. Onde está o fim do túnel?
Cabe aqui um parêntese, aproveitando um comentário do Valente. No cap. 2 do Learning by Doing, Clark Aldrich fala sobre a curva de adoção de novas tecnologias, que muitas vezes parecem morrer depois de um período inicial de excitação, mas depois renascem, quando entram na fase mais pragmática de vantagem estratégica. Se é isso o que ocorreu com o Second Life e com o uso de mundos virtuais em educação, é bom mesmo que seja assim, principalmente para deixar claro que quem entrou para valer, para explorar pedagogicamente essas ferramentas, não entrou por causa do frenesi, mas pela vontade de testar e experimentar com educação. O que, aliás, temos a obrigação, como educadores, de fazer com as mais diversas ferramentas, para nos apropriarmos delas para o uso educacional – caso contrário, quem vai ditar as regras? Mas essa fase já passou, agora já estamos em outra fase, de amadurecimento e de uso (não mais de discutir o potencial). Quem está dentro sabe disso.
Em Is Simulation as Good as Real Life?, Trent Batson faz uma interessante reflexão sobre o potencial da simulação em educação, citando exemplos desenvolvidos no MIT como StarBiochem (em que é possível interagir com moléculas) e Astronaut Motion in Micro Gravity (simulação 3D do movimento dos astronautas em micro-gravidade). Batson conclui que uma das muitas contribuições para o aprendizado, possibilitada pelas simulações, é sermos capazes de experienciar processos e realidades que são impossíveis de experienciar de outra maneira; as simulações podem nos transportar a um outro nível de realidade, permitindo ver com clareza o que seria impossível com outras ferramentas.
Quem já leu Simulation and Its Discontents da Sherry Turkle, citado no artigo?
O software Glasshouse, da Greenphosphor, permite que você transfira dados de uma planilha ou um banco de dados para uma representação 3D, que pode então ser inserida em um mundo virtual e explorada interativamente. Ele utiliza o CICP (Content Injection and Control Protocol), desenvolvido pela empresa mas em domínio público. Um vídeo explica o funcionamento do software:
Digital Karnak é um projeto de Willeke Wenderish, professor de arqueologia egípcia da UCLA, para o estudo do desenvolvimento de Karnak, centro religioso no Egito. Wenderish tem também projetos para modelagem da agricultura do Egito Antigo (cf. UCLA Professors Use Virtual Reality to Explore Ancient Egypt).
O Volume 43, Number 5, September/October 2008 da renomada Educause Review Magazine apresenta artigos sobre o uso de mundos virtuais (especialmente o Second Life) em educação, assinados por evangelizadores do metaverso como AJ Kelton (”AJ Brooks”), Sarah Robbins-Bell (“Intellagirl Tully”), Cynthia M. Calongne (“Lyr Lobo”), Chris Collins (“Fleep Tuque”) e Chris Johnson (“ScubaChris Wollongong”), além de um podcast com Donald J. Welch, Presidente e CEO da Merit Network, e vários outros artigos, dentre os quais um de Alan Levine sobre o Campus do NMC – New Media Consortium, a maior reunião de instituições de ensino em um mundo virtual. Ou seja, fonte obrigatória de consulta para quem se interessa pelo uso de mundos virtuais em educação.
O Volume 5, Issue 5, June/July 2009, do Innovate Journal of Online Education, é dedicado ao uso de mundos virtuais em educação, com a maioria dos interessantes artigos abordando o uso do Second Life.
Outra fonte essencial é o Journal of Virtual Worlds Research, iniciado em Julho de 2008 e já com inúmeros artigos disponíveis. Oras bolas, mas então o que é que morreu que está nascendo?
O Early summer 2009 Virtual World Watch snapshot of virtual world activity in UK, HE, and FE, publicado em Junho de 2009, afirma que o Second Life continua a ser, disparadamente, o mundo virtual de escolha dos educadores nas universidades e faculdades do Reino Unido. Algumas universidades, como Open University, Edinburgh e Coventry possuem vários grupos, cursos e departamentos utilizando mundos virtuais como uma tecnologia central para atividades de ensino e aprendizagem, enquanto outras instituições estão desenvolvendo uma presença significativa no mundo virtual. O setor de medicina e saúde desenvolve um número destacado de atividades no mundo virtual, além de outras áreas como saúde e segurança, arte e design, e ciência da computação. Além disso, menos educadores têm reclamado de questões técnicas, pois os novos computadores já possuem hardware adequado para a navegação no ambiente. Vamos continuar olhando para o passado, para educar nossos alunos para o futuro?
Informed consent and virtual worlds: The avatar will see you now, publicado recentemente no Economist.com, mostra um estudo sendo desenvolvido no Second Life (SciLands) pelo Royal Sussex County Hospital (Brighton, Inglaterra) para auxiliar pacientes com problemas mentais a dar consentimento para procedimentos médicos.
Há uma tag no Delicious para o Second Life: secondlife, pela qual você pode acessar tudo da web que as pessoas estão classificando com essa tag, e inclusive classificar o que você encontrar pelo caminho.
Confira também as interessantes FAQs da SLED, a lista de milhares de educadores que utilizam o Second Life. É possível também acessar um calendário de eventos para educadores no Second Life.
Enquanto eu estava escrevendo este post (foi praticamente o dia todo para ler e rever tudo o que estava guardado, explorar alguns sites e espaços no SL etc.), dei uma paradinha para visitar o fantástico e-Learning3 Academy da portuguesa Mysa Randt, da Universidade Aberta – vale a pena dar um pulinho por lá! Ela tem inclusive um canal no YouTube e seu Sloodle.
Ou seja, a educação que está rolando nos mundos virtuais, e especialmente no Second Life, não está, nem nunca esteve, dependente da Kaizen. Apesar de alinhados com boas práticas mundiais em muitas áreas da EaD, no Brasil estamos ainda bem distantes do que se faz em educação no resto do mundo em mundos virtuais, e especialmente no Second Life. Por isso mesmo, fica fácil para quem nunca entrou no Second Life, ou entrou menos do que meu filho de 5 anos, afirmar, falaciosamente, que o fim das atividades da Kaizen é a prova de que o Second Life (e os mundos virtuais) se mostraram inviáveis para a educação. Esse discurso não se sustenta, é um discurso que reverbera o medo do novo, de bicho-preguiça; é preciso rever posições, olhar para o futuro, senão vamos continuar a mirar a educação do passado, superada e ineficiente para os nossos alunos de hoje. É preciso inovar.
Mas o equívoco não está só na interpretação falaciosa do que está ocorrendo com a educação!
Recipe for Success with Enterprise Virtual Worlds é um whitepaper da Fortrera, de dezembro de 2008, que apresenta os mundos virtuais como uma opção para treinamento e colaboração em empresas. Os mundos virtuais são apresentados como mais envolventes e baratos do que sistemas de áudio e webconferência.
Sims Games for Entrepreneurs é um serviço interessante a explorar, que oferece ambientes virtuais para o desenvolvimento de empreendedorismo.
Faça a sua escolha: ser um Velho do Restelo (sugestão da Mysa) – continuar falando da zona de conforto do minimalismo tecnológico sobre aquilo que você não conhece, não experimentou e não aprendeu (ou, pior ainda, ficar repetindo esse discurso que vem da boca dos outros), repetindo que as exigências de placa de vídeo tornam o Second Life uma tecnologia elitista etc. etc., que o SL não possibilita uma educação revolucionária etc. etc., ou explorar e testar uma tecnologia que tem sido integrada e aliada da educação. Mas isso envolve disposição para a imersão – logo estará disponível um cardápio de atividades educacionais em português para o segundo semestre, no Second Life. Tudo de graça. Esperamos você por lá!
SÃO PAULO- O ensino à distância é um dos pontos mais controversos da greve que se instalou na três principais universidade paulistas.
Grupos de estudantes entraram em paralisação, entre outros motivos, por não concordarem com a implementação de projetos da Universidade Virtual do Estado de São Paulo, Univesp, entidade voltada para o ensino à distância.
Criada pelo atual governador de São Paulo, José Serra, do PSDB, a Univesp é um sistema de financiamento que irá ajudar a custear programas de ensino à distância (EAD) das três grandes instituições de ensino superior públicas do estado: USP, Unicamp e UNESP. Isso significa que a Univesp, que está vinculada à Secretaria de Ensino Superior, não vai ter o poder de criar cursos, já que fica a critério das universidades elaborar, aprovar e implementar as disciplinas ministradas.
“A Univesp não estabelece uma política de atuação. O aspecto pedagógico, como vai ocorrer a interação, tudo fica a cargo do professor”, explica José Armando Valente, Coordenador do Grupo Gestor de Educação à distancia na Unicamp. “A proposta é que isso seja feito com a maior interação possível, pois é assim que a gente garante a qualidade da informação”, diz o professor que, desde 1996, trabalha com EAD.
Uma vez que a quantidade de cursos e alunos depende do planejamento de cada faculdade, a Univesp ainda não possui um departamento técnico voltado exclusivamente para o EAD. “Nossa idéia é começar com seis pessoas para cuidar não somente dos cursos à distância, mas dedicadas a dar também apoio técnico ao ensino presencial”, diz Gil da Costa Marques, Coordenador de TI da USP e representante da Universidade de São Paulo no Comitê Diretivo do programa Univesp.
Marques ressalta ainda a questão econômica que envolve os cursos à distância. “Se fôssemos criar cursos presenciais para todos os alunos que precisam, não haveria como manter o ensino no nível que a USP pratica. O Estado dedica cerca de 10% do orçamento para o ensino superior público. Precisaria de 20 vezes mais para atender todo mundo, o que é simplesmente inviável”, diz.
No entanto, as afirmações a respeito dos benefícios dos cursos à distância não são aceitas pela liderança estudantil das universidades. “Manter a qualidade de um curso à distância é muito mais caro que a própria Univesp pretende financiar”, afirma Reginaldo Alves, membro do Diretório Central Estudantil (DCE) da Unicamp. “Parece vantajoso lucrativamente, mas o ensino praticado será de qualidade inferior”, diz.
O foco mais tenso das paralisações, no entanto, é a USP. Funcionários iniciaram protestos por melhores salários no dia 3 de maio, seguidos pouco mais de um mês depois, dia 5 de junho, por professores e estudantes.
“Além da expulsão da Polícia Militar do campus e da demissão da atual reitora, Suely Vilela, com implementação de eleições diretas para seu sucessor, um dos pilares da nossa greve é a Univesp”, diz Gabriela Hipólito, membro da atual chapa do DCE da USP. Aluna do quarto ano de Letras, ela explica que os estudantes não são contra o uso da tecnologia para a educação: “O que discutimos é a forma como ela está sendo utilizada, somos contra a Univesp”, diz.
Gabriela afirma que os estudantes são a favor de toda forma de tecnologia associada ao ensino, mas acredita que ela seja um acessório no aprendizado. “A base é a universidade, ensino presencial. A Univesp vai trazer o que chamamos de precarização de estudo”, acredita.
Para Valente, está é uma afirmação “totalmente ignorante”, já que “ a presença de um aluno em sala não garante sua participação na aula; já o ambiente virtual propicia até mais condições de interagir. Se o professor fizer uma pergunta na educação à distância, ele obtém 30 repostas; na sala de aula apenas dois ou três alunos respondem”.
Em sua opinião, os estudantes que se mostram contrários estão se baseando em modelos ruins praticados por algumas instituições privadas. Fora do Brasil, há diversos casos de universidades renomadas que há alguns anos praticam o ensino à distância.
A Open University, na Inglaterra, por exemplo, iniciou sua primeira turma em 1971. Na Berkeley, nos Estados Unidos, há mais de 140 cursos de extensão à distância. Até mesmo o tradicional MIT disponibiliza uma opção de graduação à distância – mas exige a presença do aluno no campus por um semestre inteiro, além de sua presença em outros eventos regulares.
A troca de farpas entre movimento estudantil e coordenação da Univesp vai além de discussões pedagógicas. “A população carente tem que estar presente no campus. Somos contra criar duas universidades: uma para elite de São Paulo, branca, e outra para quem não tem acesso a ela”, diz Gabriela, do DCE da USP. Já Valente rebate, dizendo que a postura de alguns estudantes é que é elitista: “Foi falado em reuniões que a verba deveria melhorar a condição de quem já está no campus, investindo na biblioteca, em estúdios… Nós não estamos falando de educação à distância para quem já está na faculdade – é para quem não entrou nela ainda”, diz.
Mas parece que, pelo menos por enquanto, a única coisa “distante” é o início das aulas em parceria com a Univesp, já que o curso para formação de professores de ciência à distância da USP não terá início este ano, como havia sido anunciado. O curso foi adiado para 2010 pois os próprios professores não entraram em um acordo com o governo.
Nosso compromisso inicial com o leitor é não mencionar a palavra crise, bem como outras abordagens que nos levam a comportamentos de paralisia e sintomas de desespero. Quem assume a “doença” pode não perceber quando o organismo reage.
Vamos focar aqui a função da “Educação Corporativa” e o que se pode fazer com os poucos recursos com que certamente fomos contemplados.
O que temos observado é que os executivos e profissionais da área, por determinação da diretoria, do executivo financeiro ou por decisões próprias, adotaram um comportamento de avestruz: “Esconder a cabeça”.
O que nós consultores/ fornecedores (que tivemos nossa demanda diminuída) podemos fazer, junto com a unidade de educação corporativa, para não sermos esquecidos ou despedidos e ao, mesmo tempo, contribuirmos com ações não tradicionais?
Algumas Idéias
Educação Corporativa é o casamento entre um bom produto e uma boa metodologia. Certamente o bom produto dará mais visibilidade para a empresa como um todo, especialmente pelo aspecto novidade, mas não pelos resultados. Tão importante quanto o produto é sua embalagem (metodologia). Falamos de algumas ações. Veja a seguir.
A. Envolvimento do superior do participante, definindo suas expectativas e o porquê da indicação para o treinamento; se não se especifica o resultado não se pode medir o resultado de qualquer ação.
B. Elaboração, pelo participante, de um plano de ação a ser discutido com o respectivo superior em até sete dias; aqui o treinamento se transforma em atividade bidirecional, pois o superior é obrigado a interagir com o subordinado, partindo para uma atividade de coaching.
C. As sugestões A e B têm um objetivo comum: fazer com que a avaliação de qualquer atividade de treinamento seja desenvolvida pelo cliente interno e não pela área de treinamento. Certamente a credibilidade e o impacto de qualquer resultado serão maiores.
D. Utilização do e-learning como atividade prévia para adição de conhecimento, liberando tempo para que, na etapa presencial, esse conhecimento possa ser operacionalizado.
E. Envolvimento da cadeia de valor nos processos de Educação Corporativa. Essa estratégia de maior envolvimento dos stakeholders acaba trazendo resultados mais imediatos, tangíveis e perceptíveis, bem como dá maior visibilidade à área de T&D.
F. Envolvimento, pela área de Educação Corporativa, dos fornecedores na uniformização do conteúdo e metodologia de programas de T&D conduzidos por prestadores de serviços diferentes.
Essa ação de customização do programa, normalmente é desenvolvida individualmente entre o fornecedor e a contratante, perdendo-se a visão de conjunto.
Nossa sugestão é que essa customização /uniformização seja feita de uma só vez, com todos os consultores e fornecedores. Cada um deles apresentaria seu conteúdo a respectiva metodologia, textos, slides, etc.
A área de educação corporativa, de imediato, poderia sugerir:
• eliminação de superposições de conteúdo;
• consenso de uma metodologia única para todos os temas, como, por exemplo a elaboração de um plano de ação ao final do evento;
• continuidade para assuntos desenvolvidos por fornecedores diferentes;
• unificação de abordagens antagônicas sobre um mesmo assunto, como, por exemplo, estilos de negociação, de liderança etc..
G. Treinamento por massa crítica, aumentando o número de participantes em uma mesma turma (de 25 para 50 pessoas, por exemplo). O custo para dobrar o número de participantes não é de 100%, mas de, aproximadamente, 85% (mesmo com a utilização de 2 consultores);
H. procurar consultorias que possam minimizar os obstáculos financeiros à contratação de programas de treinamento, bem como alternativas para manter ativo seu processo de educação corporativa. Um exemplo dessa ação seriam aqueles fornecedores que desenvolvem Programas cujo valor é arbitrado, pelo cliente, 30 dias após o Programa e de acordo com parâmetros estabelecidos entre as partes. Uma segunda opção seriam as consultorias que permitem que os investimentos em T&D possam ser pagos em até 120 dias, após cada programa. Outra hipótese é o treinamento em que o cliente paga ao fornecedor um percentual dos resultados obtidos (na avaliação do próprio contratante e de acordo com parâmetros definidos pelas partes. Está achando difícil essas alternativas? Tente negociar isso com um fornecedor!
Vale mencionar que o momento atual certamente permite que o cliente e consultores sejam mais flexíveis em seus processos de negociação. Afinal de contas quem confia em “seu taco” pode oferecer a seus clientes treinamento com risco zero
A essa altura o leitor poderá se perguntar por que não falamos sobre o conteúdo dos eventos a contratar? A resposta é simples, procure nos sites de buscas, todas as commodities estarão lá.
Apresentar propostas maravilhosas é fácil, o complicado é saber como esse conteúdo vai ser “entregue” e implantado.
E aí, onde está a miopia?
Lembre-se de que a ignorância e a inanição não devem ser desculpas para nossos erros.
Por LA Costacurta Junqueira (CEO – Instituto MVC. Website: www.institutomvc.com.br)
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