Com a crise da escassez de crédito global corroendo os orçamentos é um sonho ainda em gestação em algumas áreas de Treinamento e Desenvolvimento (T&D) usar games para treinamento.
Longe de ser privilégio de algumas empresas excêntricas ou estritamente especializadas – o que era o caso cerca de 5 anos atrás – os jogos sérios, do inglês serious games, ou ainda jogos para educação ou treinamento está se tornando uma das principais ferramentas para o aprendizado organizacional, graças a empresas gigantes do mundo da Tecnologia da Informação (TI) como Microsoft e IBM que desenvolveram tecnologias extremamente sofisticadas.
David Wortley, Diretor do Instituto Coventry de Jogos Sérios, diz que o mercado vem sofrendo uma mudança bastante significativa em relação ao entendimento, conscientização e demanda por jogos sérios. Ele diz que a indústria, que já fora focada em simulações extremamente complexas como simuladores de voo, está agora se espalhando por áreas como marketing, finanças e atendimento ao consumidor.
Ambientes 3D
Os jogos para treinamento evoluíram de jogos de tabuleiro, simulações em papel, software multimídia para jogos extremamente sofisticados, em ambiente tridimensional que outrora só se imaginaria no console para videogame PlayStation3, da japonesa Sony.
Os desenvolvedores argumentam que a habilidade desses programas em possibilitar complexos cenários de negócios significa que agora existe um lugar válido para qualquer tipo de treinamento da linha de frente das empresas. “As pessoas que nos procuram tem proporcionalmente uma larga experiência e tradição em treinamento de sala de aula e almejam cortar custos,” diz Kevin Corti, Diretor-Executivo da empresa especializada em games para treinamento, Pixel Learning.
“Os jogos sérios possibilitam às empresas oferecerem um aprendizado mais focado e realista, que realmente representa aquilo que os executivos fazem diariamente,” acrescenta Kevin.
Enfrentando desafios
De acordo com Richard Berg, chefe de desenvolvimento da empresa Business Smart International, o elemento relacionado à experimentação dos jogos para treinamento significa também que os mesmos podem cumprir um papel fundamental nesse cenário econômico de incertezas, ao passo que colocam as pessoas frente aos seus desafios reais, colaborando na busca das respostas. Ele diz ainda que os colaboradores, nesse tipo de ambiente, podem se sentir livres para colocar novas idéias em prática, arriscar mais, sem os perigos da vida corporativa real, justamente um ambiente simulado para treinamento, preparando-o para o mundo real.
A versatilidade dos jogos sérios possibilita uma gama bastante variada de aplicações, com diferentes tipos de jogos, objetivos, duração e mesmo, custo. Nisso, pode-se incluir jogos curtos de 2 minutos, chegando a simulações bastante complexas que podem durar semanas, provocando interação entre os participantes. Os gerentes de treinamento podem escolher implementar esses jogos num ambiente de e-learning já existente ou mesmo em encontros presenciais. A própria GSI Online, empresa na qual sou um dos Diretores, já desenvolveu vários, principalmente para o segmento farmacêutico, para empresas como Pfizer e Eurofarma, noticiado no Portal Baguete, aqui e aqui.
Corti diz que a maioria dos projetos da Pixel Learning são híbridos e variam de R$100.000,00 a R$150.000,00 – oferecendo várias horas de treinamento para centenas a milhares de colaboradores.
“Nós já desenvolvemos diversos games de simulação em formato de prateleira (catálogo) como, por exemplo, Atencimento ao Consumidor, que podem custar de R$120,00 a R$240,00 por usuário,” adiciona ele.
Qualquer empresa com um grande número de funcionários terá, provavelmente, uma drástica redução de custos com esses aplicativos, adiciona Berg, que insiste que, apesar da tecnologia, os preços são bastante competitivos se comparados a treinamentos presenciais, recheados de custos relacionados à hospedagem, deslocamento, alimentação, aluguel de salas e remuneração de instrutores.
“As empresas podem fazer um mix de soluções e nós podemos criar soluções tão flexíveis quanto,” diz ele. “Os custos podem ir de R$750 a até R$12.000,00 por usuário, dependendo da complexidade da aplicação.” *Nota = esses valores são bem mais competitivos quando falamos no mercado brasileiro.
Estudo de Caso: Shire
No outono de 2008, a empresa farmacêutica global, Shire, rodou uma sessão de games para treinamento para 35 colaboradores do mundo todo de sua área de legislação na Convenção Anual. A aplicação utilizada era baseada numa simulação complexa de sua realidade de negócios.
“Como os advogados da empresa tinham a tarefa de aconselhar as lideranças da Shire, era crítico compreender por que os executivos da empresa buscam certos caminhos e qual o seu real objetivo”. A idéia, segundo o porta-voz da empresa, Jason Baranski, era “…fazer algo intenso nos termos de treinamento que ao mesmo tempo fosse divertido e possibilitasse o trabalho em equipe.”
“O desafio foi genuíno, pelo fato de possibilitar uma reconstrução simulada do mundo real”, colocando variáveis reais do negócio, permitindo uma variação no pool de decisões possíveis a serem testadas, sem os agravantes das consequências de um erro no mundo corporativo real”, finaliza.



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