Pessoal,
Nos próximos posts, estarei falando sobre o Design Instrucional, função essa notadamente conhecida por ser um dos pontos nevrálgicos no desenvolvimento de Cursos e-Learning.
E nesse primeiro post, usarei, mais uma vez, do nosso amigo Allan Brito, do Colaborativo.org, que fala nesse post com primazia sobre o assunto, mais precisamente, sobre o uso de gráficos em e-learning.
Parte do trabalho de qualquer designer instrucional é transferir informações, do formato textual para uma linguagem mais visual. Isso envolve o uso intensivo de gráficos e outros artifícios, para apresentar dados. Muitas vezes o teor dos dados não importa para o design, mas sim a maneira como o aluno irá interpretar e compreender aqueles dados.
Sempre que precisamos fazer essa representação, algumas dúvidas e perguntas costumam aparecer na nossa mente; qual a melhor maneira de representar? Será que esse esquema de cores é a melhor opção? Como transmitir a informação?
Encontrar essas respostas não é tarefa fácil! Boa parte da interpretação desse tipo de gráfico é subjetiva, então cada pessoa apresenta um padrão bem definido.
Como sempre estou buscando fontes de informação sobre design instrucional, como artigos e textos científicos que expliquem as maneiras como as pessoas interpretam esse material. Acabei achando um muito interessante, na base de dados da universidade de Amsterdã. O título do artigo é “The Language of Graphics”, em uma tradução literal ficaria algo como “A linguagem dos gráficos”.

A tese tem aproximadamente 218 páginas, estando disponível para download gratuito no seguinte endereço. O tema principal estudado na pesquisa é a maneira como se comportam e se classificam os principais tipos, de representação gráfica.
O estudo até cita algo interessante, a possível criação de uma gramática para a representação visual. Ela seria um norteador para qualquer tipo de comunicação visual. Com a vantagem de ser universal muito diferente das gramáticas para a língua escrita, que precisa lidar com um infindável número de regras para construir um padrão.
Veja uma descrição traduzida do sumário dessa tese:
- Representação gráfica
- Sintaxe dos gráficos
- Interpretação das representações gráficas
- Classificação das representações gráficas
- Análise das representações gráficas e a teoria dos gráficos
- Conclusões
Se você trabalha com design instrucional, para cursos de educação à distância, pode se aproveitar dos conhecimentos publicados nessa pesquisa. Podemos melhorar muito o nosso material educacional, fundamentando as nossas decisões com pesquisas científicas. Isso trará mais credibilidade para o seu material.
Ainda não terminei de ler a tese, mas com certeza ele vai ajudar muito na minha produção. Sem falar que é uma ótima referencia, para futuros trabalhos de pesquisa já que estou planejando entrar em um mestrado sobre EAD.



17 de março de 2009 às 8:55
Valeu Bruno! Vou baixar e ler também. E esse lance de mestrado em EaD? Onde tem? Também quero saber. Abraço.
25 de março de 2009 às 21:09
Bruno, só uma correção para lhe orientar melhor. Design Instrucional não é o responsável por adaptar visualmente conteúdo didático-pedagógico produzido. Ele tem a função de projetar cursos, disciplinas, planos de ensino. O termo “design” é utilizado no aspecto de projeto. Ele pode sim ter conhecimento sobre a necessidade de adaptação, mas não será o responsável por realizar tal processo. Continua a cargo do designer gráfico a função de unir funcionalidade informacional com estética adequada.
Um grande abraço e parabéns pelo site!
27 de março de 2009 às 3:23
Guilherme,
Já existem, até onde sei, especializações em EaD…Mestrados em Educação, por exemplo, podem ter como área de concentração, EaD. Mas acredito que logo, logo, teremos várias opções de qualidade.
Abs
Bruno
27 de março de 2009 às 3:32
Darwin,
Olha, esse texto eu clipei do Allan Britto do Colaborativo.org, uma pessoa que vem produzindo muitas coisas interessantes como Design Instrucional. Na verdade, acredito que não devemos fazer uma interpretação literal do que ele disse, pois acredito muito no Designer Instrucional como alguém que planeja o Curso como um todo, inclusive o seu formato de abordagem, o que inclui projetar a ideia, juntamente com o Designer Gráfico, de como fazer a contextualização do aprendizado com ilustrações e animações, por exemplo. Entretanto, aceito muito bem sua crítica. Esse espaço é para isso. Para discutirmos e desenvolvermos e-learning cada vez melhor…
Veja o que escreve a Andréa Filatro, uma autoridade na área, no link (http://www.abed.org.br/congresso2004/por/htm/049-TC-B2.htm), de onde reproduzo o excerto abaixo:
“A educação on-line é uma ação sistemática de uso de tecnologias, incluindo hipertexto e redes de comunicação interativa, para distribuição de conteúdo educacional e apoio à aprendizagem, sem limitação de tempo ou lugar (anytime, anyplace). Sua principal característica é a mediação tecnológica através da conexão em rede.
A educação on-line se concretiza em diferentes modalidades, que vão desde a educação presencial apoiada por tecnologias até a educação totalmente a distância. O nível de utilização das TICs depende em grande parte da infra-estrutura tecnológica disponível (como largura de banda e espaço em disco), da capacidade humana em lidar com as tecnologias, e também dos objetivos e educacionais propostos.
Na educação on-line, o design instrucional se dedica a planejar, preparar, projetar, produzir e publicar textos, imagens, gráficos, sons e movimentos, simulações, atividades e tarefas ancorados em suportes virtuais. “
27 de março de 2009 às 14:37
Sim Bruno, você está correto, no entanto, o designer instrucional é prioritariamente responsável pelo escopo e planejamento. Mas como sabemos que a teoria está bem longe da prática, hoje o designer educacional (outro nome dado ao designer istrucional) assume responsabilidades diversas, o que de certa forma, em um trabalho em equipe, é ruim, pois assim não teremos a diversidade de pensamentos e idéias que cada profissional detém. Multidisciplinaridade sim, mas sem querer “abraçar o mundo com as pernas”.
De qualquer forma, o assunto proposto é muito bom, e as discussões sobre esta aplicação profissional é muito recente. Não dá para dar como definitivo nada nesta área.
Um abraço e parabéns pelo site.
27 de março de 2009 às 16:37
Legal Darwin! Justamente é essa a ideia do Blog. Promover discussões sobre e-learning para gerar melhorias em todos os sentidos.
Abs
Bruno